segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Para não deixar a sensação morrer (rosa-alaranjado-em-pôr-do-Sol-de-inverno)

Leia apenas após dez anos (parte 3- Utopia)

Sempre perdia a conta da quantidade de vezes em que seus planos se Frustraram, isso acontecia logo no início, quando passavam por sua mente todas as pessoas com as quais passou horas planejando, imaginando, sonhando.
Inverossímil.
Esse universo Onírico insistia em permanecer ali, por mais que os anos passassem e um projeto de ruga se instalasse no canto de um dos olhos cor-de-jabuticaba, como dizia seu avô. Você gostava da lembrança que tinha dele, como se fosse um retrato, carregava todo o Futuro que você desejava para si mesma: o grande crítico, senhor de si, um tanto quanto revolucionário e antipático com os que mereciam, quase que auto-suficiente.
Quimera.
Se tivesse tido a oportunidade de tê-lo por mais tempo provavelmente se incomodaria com o fato de suas idas ao bar da esquina serem freqüentes, ou de seu humor se modificar drasticamente nessas ocasiões.
Utopia.
A Esperança de que algum de seus planos se concretizasse já havia se esvaído completamente. Você sabia que planos muito, muito melhores, estavam sendo desenhados em seus mínimos detalhes e esses, definitivamente, não eram feitos por você, mas eram moldados conforme cada uma de suas necessidades. Havia Alguém extraordinário que se dava ao trabalho de pensar em tudo por você. Suas esperanças se baseavam nisso, isso te confortava e te aliviava.
O universo fantasioso e irrealizável ficava por sua conta, só para sentir o doce gosto de saber que caso tudo aquilo se concretizasse nunca alcançaria a perfeição que, de fato, tinha.
O universo verdadeiramente maravilhoso te aguardava.

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