Leia apenas após dez anos (Parte 1 - O Amor)
Você tinha o namorado que sempre sonhou, talvez não sempre, mas o desejou muito desde o dia em que o conheceu jogando basquete, depois falando de seus (des)amores freqüentes – muito mais freqüentes do que você desejava – e que nunca, absolutamente nunca, pareciam deixar uma brecha pra você, isso te fazia mal, nada considerável, no fundo, aquele protótipo de sofrimento era até um pouco engraçado.
Depois de alguns anos ele resolveu te enxergar, foi ótimo. Falou com você sobre seus sentimentos, você tremeu, e como tremeu! O pedido de namoro foi inesperado. Apesar de absurdamente rápido e arriscado, tudo fluiu naturalmente e foi incrível. Você aprendeu que o que sentia a princípio era uma admiração, amor era o que vocês conquistavam diariamente.
Você gostava do jeito que ele passava a mão em seus cabelos, lentamente, dando um arrepiozinho ingênuo, acompanhado de uma sensação de proteção e uma vontade de deixar escapar todas aquelas palavras que vinham num fluxo instantâneo, e que depois, se julgaria boba até mesmo por pensar. Jamais falaria. Gostava da forma que ele te abraçava forte como se você nunca fosse conseguir escapar. Gostava daquele olhar pseudo-analítico que ele te lançava quando você fechava os olhos por alguns instantes e se perdia no nada que se transformava sua cabeça, aquele nada bom que transmitia paz, paz e satisfação. Gostava dos olhos dele. Gostava da delicadeza dele. Gostava da risada desafinada que soava quando você apertava sua barriga. Ele era maravilhoso.
Era ruim quando o maravilhoso acabava se confundindo com o impossível e com o indesejado, isso acontecia algumas vezes. O impossível estava sempre presente no segundo plano (vide Vestido de Noiva). O indesejado estava sempre presente no primeiro, falando coisas que não deviam sair daqueles lábios, talvez de lábio algum, mas que quando você escutava na hora errada desestabilizava seu maravilhoso mundo. No fim o maravilhoso fazia jus a seu título e tudo ficava bem. Talvez até melhor que antes. Superação. Aprendizado. Intimidade.
O indesejado dizia sofrer e continuava presente.
O impossível no segundo plano. Sempre lá, apenas lá.
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